terça-feira, 17 de maio de 2011

O amor e a humildade andam de mãos dadas



“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Romanos 12:16).


                Sem dúvidas, estamos diante de uma recomendação absolutamente objetiva e fácil de entender, contudo, extremamente difícil de praticar. Paulo retoma o tema do amor no seio da comunidade cristã, que na realidade, é a virtude que permeia todas as suas demais recomendações. Em síntese, na visão dele, quando o amor e o respeito mútuo perseveram entre os irmãos, o orgulho (a soberba) não tem espaço.
                “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros” (“sede unânimes entre vós” – versão corrigida). Paulo está falando de uma mesma atitude mental, da necessidade de vivermos em harmonia uns com os outros, o que na essência, deveria ser o simples resultado do amor, conforme expresso em filipenses: “se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros (2:1-4).
                Metaforizando, o amor é o pai e a humildade é a mãe de todas as virtudes, ou seja, a base de todas elas. Ninguém viverá em harmonia consigo mesmo e/ou com os outros, se em seu íntimo (espírito) verdadeiramente não reinar o amor e a humildade.
                “[...] em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde” (“não ambicioneis coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes”– versão corrigida), aqui Paulo vai direto ao ponto, ao problema que pode derrotar toda uma comunidade, que pode ser fonte de escândalos, conflitos, confusões e dissensões, a saber, o orgulho, a altivez de espírito. Dante Alighieri (1265-1321 – Escritor e Poeta Italiano), em “O Inferno” (1ª parte da “Divina Comédia”) diz que o “orgulho, a inveja e a avareza, são as fagulhas que têm incendiado os corações de todos os homens”.
                Para o apóstolo Paulo, “a graça exclui o orgulho”, em quaisquer situações, o orgulho sempre será danoso para o crente. O orgulho sempre deve ser considerado um inimigo para os servos de Deus. O orgulho no coração humano é um solo fértil para que os intentos de Satanás floresçam e cresçam, desviando-o e afastando-o cada vez mais da verdade. À medida que o orgulho cresce no coração do crente, as coisas do Espírito diminuem, incluindo-se a humildade necessária para que ele viva retamente diante do Senhor e em comunhão com os irmãos. O orgulho sempre é perigoso, “é o começo do pecado”!
                Segundo Calvino, o que o apóstolo tem em mente “é que o cristão não deve desejar com obsessiva ambição aquelas realizações pelas quais ele exceda a outrem, nem alimentar sentimentos de superioridade; mas ao contrário, deve ponderar com discrição e mansidão”, nas palavras de Paulo, “condescender com o humilde”.
                “Condescender”, significa “transigir espontaneamente; ceder, anuir voluntariamente”, assim sendo, ao invés do crente ser orgulhoso, deve identificar-se com as coisas humildes e condescender com as pessoas humildes.
                “[...] não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Paulo não está fazendo apologia à ignorância, absolutamente não! Ele quer dizer que é sempre melhor atribuir honra aos outros do que recebê-la ou auto atribuí-la. Mais uma vez o apóstolo ataca a presunção, a soberba e o orgulho, provavelmente, ele tinha em mente o texto de Provérbios 3:7-8 que diz: “não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos”. À luz desse texto, ser sábio aos próprios olhos é algo terrível. Na verdade, é pecado porque é orgulho. Todos os que vivem de forma sábia aos próprios olhos não temem realmente ao Senhor e não se apartam do mal. Nesse sentido as palavras de Calvino são oportunas quando diz: “O antídoto mais eficaz para a cura da arrogância (orgulho ou soberba) é suprimir uma opinião demasiadamente exagerada acerca de nossa própria sabedoria”.
                As advertências da Bíblia contra a soberba são abundantes, por exemplo: Tens visto a um homem que é sábio os seus próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele” (Pv 26:12); “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!”(Is 5:21); “Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber” (1Co 8:2); “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16:18).
                Em tudo o crente precisa buscar a moderação e, em sua vida o amor e a humildade sempre devem estar de mãos dadas, como partes integrantes do seu caráter e presentes em todas as suas atividades. O Salmo 131 precisa ser o moto do crente, a saber: “Senhor, não é soberbo o meu coração,nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas,nem de coisas maravilhosas demais para mim.Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma;como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe,como essa criança é a minha alma para comigo.Espera, ó Israel, no Senhor,desde agora e para sempre”.“A soberba precede a ruína,e a altivez do espírito, a queda”, por sua vez, o amor e a humildade, conduzem às grandes e verdadeiras vitórias.
Pr. Marcos Serjo
Pastor Sênior da IPB Central de Cuiabá

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