quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DOMÍNIO PRÓPRIO: ESSÊNCIA DA OBEDIÊNCIA


“Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio” (Provérbios 25:28).

            Já sabemos que a obediência é a mola mestra para o desenvolvimento do caráter cristão, visto quea santidade começa na mente e se expressa nas ações e isto será impossível se não houver uma atitude de diligente obediência em todas as áreas da vida. Nesse sentido, o domínio próprio torna-se absolutamente indispensável. Na essência, a obediência tem relação com retidão e prática, por conseguinte, sem a virtude do domínio próprio (temperança), ninguém conseguirá ser obediente. A falta de temperança sempre revelará um caráter deficiente!
            Um homem sem domínio próprio é um homem sem freios, vive desgovernadamente, se torna um grande perigo para si e para os outros, principalmente, para os mais próximos.
            Na visão do sábio Salomão, o homem sem domínio próprio assemelha-se a uma cidade sem muros e, o justo que perde a temperança diante do perverso, a um poço contaminado, fonte de água barrenta (Pv 25:26, 28).
            Antigamente, os muros de uma cidade eram extremamente importantes, representavam segurança e garantiam proteção contra os ataques quase sempre cruéis e fatais dos inimigos. Proporcionavam paz e vida aos seus moradores. Com sabedoria, o provérbio ensina que quem não se domina é como uma cidade sem muros, por conseguinte, encontra-se desprotegido. Autocontrole ou o domínio próprio é o muro de defesa que se opõe aos desejos pecaminosos que fazem guerra contra a alma. Sem autocontrole a pessoa se torna presa fácil para qualquer espécie de invasor.
            A Bíblia fala da temperança (domínio próprio) como uma das qualidades do fruto do Espírito (Gl5: 22-23). Portanto, indispensável na prática cristã!
            O Novo Testamento usa duas palavras, comumente traduzidas por domínio próprio ou temperança, a saber: εγκρατεια” –egkrateia” de “kratos” (força) significa “autocontrole”, “temperança”, “moderação”, “sobriedade” (virtude de alguém que domina seus desejos, paixões e apetites) e, σωφρων” – “sophron” significa "sensatez", "ser de mente sadia", “equilibrado” (moderação apropriada que não deixa a pessoa ir além dos limites determinados, pessoa que freia os próprios desejos e impulsos).
            Platão fala de “egkrateia” como o domínio dos prazeres e dos desejos. Aristóteles afirmou que: “À ‘egkrateia’ pertence a capacidade de refrear o desejo pela razão” (Das Virtudes e dos Vícios, 5.1).
            “Toda a iniquidade torna o homem mais injusto, e a falta de domínio próprio parece ser [a mais terrível] iniquidade. O homem descontrolado é o tipo de homem que age de conformidade com o desejo e de modo contrário ao raciocínio e, descontrolado agirá injustamente, segundo o seu desejo” (Ética a Eudemo, 2.7.6).
            Segundo o apóstolo Paulo, o cristão precisa fazer uso correto das bênçãos concedidas por Deus, inclusive, da liberdade recebida em Cristo, por isso disse:Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne”, e mais, “vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos” (1 Co 8:9;Gl 5:13).
            O domínio de si mesmo é algo extremamente difícil e somente o Espírito de Deus poderá nos levar a alcançá-lo de modo pleno, no entanto, apesar de difícil, é valioso devido às bênçãos que ele proporciona (Pv 16:32). Em termos Bíblicos e práticos, o domínio sobre o desejo descontrolado e insaciável não poderá ser alcançado sem o auxílio e a direção do Espírito Santo (Rm 8:12-14; Gl 5:22-23).
            A verdadeira santidade inclui o domínio sobre o corpo e a mente. Deus exige santidade no corpo e nos pensamentos (1Co 9:27 e 2 Co 10:5). É nesse contexto, que o domínio próprio se reveste de essencial importância para a credibilização do caráter (testemunho) cristão.
            Seguir a santidade significa reconhecer que o corpo é templo do Espírito Santo e que devemos glorificar a Deus com ele, bem assim, que os nossos pensamentos devem ser controlados e submetidos à obediência de Cristo Jesus. Paulo nos alerta contra a possibilidade de controlar o corpo e deixar os pensamentos sem freios (Cl 2:23).            
            O cristão precisa entender que os seus pensamentos são tão importantes quanto as suas ações e que Deus tem conhecimento de ambos. Deus deseja dominar todas as áreas da nossa vida! (Sl 139:1-4 e 1Sm 16:7; 1Co 7:9; 9:25; Tg 3: 2, 8).
            Tenha sob absoluto domínio a mente, a língua, a ira, o mau gênio, o temperamento, os complexos, a vaidade, as circunstâncias, as emoções e os apetites da carne. Esta é uma tarefa que o cristão não conseguirá sozinho. Busque o auxílio de Deus, mantenha comunhão com Ele por meio da oração, leitura da Palavra e jejum.



5 comentários:

  1. Gostei muito texto, pastor!

    Parabéns! A paz do Senhor.

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  2. Que Deus venha me perdoar...me ajudar...por favor Senhor

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  3. Como eu preciso desse entendimento na minha vida! Frase do texto para minha reflexão: "Um homem sem domínio próprio é um homem sem freios...". Um veículo sem freios é muito perigoso. Viver sem domínio próprio (fruto do Espírito) é procurar problemas. Obrigado, pastor!

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